Movimento anticorrupção – obstáculos (III)

Danton, Lênin, Trotsky, Hitler, Lindberg Farias, Ulysses Guimarães, Churchill, De Gaulle, Roosevelt…Esses são os heróis que lutaram, num determinado momento, contra o Mal encarnado pelos “inimigos únicos” do post abaixo.

Como dá para notar da listinha, nem sempre o “herói” que enfrenta o “inimigo único” é realmente o Bem. O caso de Hitler é o mais emblemático, claro, mas, para o nosso caso, Lindberg é melhor exemplo. Quem tem mais de 30 deve lembrar bem que o “Lindinho” foi a imagem, o cara-pintada-padrão, da luta pelo impeachment de Fernando Collor. Era a “cara nova”, o diferente, o jovem, o sem-mácula, embora quem fosse pouca coisa mais informado saberia que não era nada disso. Hoje…Bem, Lindinho é isso que o povo vê e chora.

De qualquer maneira, o ponto é que, da mesma maneira que, para a existência de um movimento de massas é necessário a construção de um “inimigo único”, é imperioso que se crie o seu contraponto, o herói, o líder, o ícone, o mocinho, que o enfrentará e trará consigo a esperança da massa de livrá-los do Mal.

A boa notícia é que o herói não precisa ser um só, como o “inimigo único”. Há espaço para outros. Nos casos citados lá em cima, por exemplo, a dupla Lênin-Trotsky se completava – “quando Lênin falava, nós ouvíamos; quando Trotsky falava, nós marchávamos”, disse um veterano daqueles tempos – e o trio Churchill-De Gaulle-Roosevelt juntou três nações para derrotar Hitler (vou esquecer Stálin para não complicar muito, ok?). No Brasil, Ulysses foi o “sr. Diretas”, mas Tancredo, Lula, Brizola, Arraes e outros também tiveram seu lugar no panteão das Diretas-Já.

No momento, a mídia, também em seu papel, está tentando criar lideranças para o movimento anticorrupção.O Estadão apresentou como candidatas uma dupla de irmãs, de Brasília, enquanto O Globo lançou uma empresária moradora de Santa Tereza. Em comum, além do fato de serem mulheres, a defesa do apoliticismo como bandeira política – uma contradição em termos que parece não estar afetando muito os militantes do movimento, pelo menos por enquanto.

Serão elas as “novas caras” como foi Lindberg há quase 20 anos? Não dá pra saber, mas se não forem, alguém terá que assumir o papel, porque movimento de massa não se faz sem “heróis”, seja lá quem forem e o que acontecer com eles depois.

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