Movimento anticorrupção – obstáculos (II)

Maria Antonieta, Rasputin, os judeus, Fernando Collor, Kadafi, Mubarak, João Baptista Figueiredo, Paulo Maluf, Hitler, Hiroito…O que eles têm em comum?

Todos foram alçados, em algum momento, à condição de “inimigos únicos”. A encarnação do mal, daquilo que se deve destruir para que possa atingir a felicidade, a segurança, a democracia, o desenvolvimento ou qualquer outra coisa a que um movimento de massa se proponha a derrotar. A estratégia do “inimigo único” é muito importante para que se consiga empolgar as massas, pois elas não são boas em lidar com coisas abstratas e precisam de um foco, alguém para odiar e em quem possam colocar a culpa por tudo. Assim, para ir em frente, o movimento anticorrupção precisa construir essa figura.

A mídia, que normalmente é quem constrói o “inimigo único”, está tentado fazer a sua parte. E começou bem – escolheu José Dirceu para encarnar o papel. Uma excelente escolha, há de se convir. O cara tem o “physique du rôle” e mesmo a “psiqué du rôle” (existe isso?!) para exercer a função. Infelizmente, a Veja fez o favor de, logo de cara, transformar o sujeito em vítima, ao tentar invadir o apartamento de hotel onde ele se hospedava em Brasília. O Chico, no Globo, ainda mantém essa linha aberta, em suas charges, mas desenho não é tão bom para a construção de inimigos únicos – embora seja importante para a fase de sustentação, como naquela famosa charge do mesmo Chico em que a Roseane Collor vestida de presidiária.  Para essa tarefa, as palavras são imbatíveis. Maria Antonieta, por exemplo, talvez não fosse tão odiada se o coleguinha Marat não tivesse inventado aquela frase dos brioches.

Enfim, essa é uma pergunta a que o movimento anticorrupçã vai ter que respondero: quem vai ser o vilão?