Wikileaks, jornais, cinema e realidade

Se a premissa do Wikileaks é a transparência total para mostrar a realidade como ela é, essa briga com os jornalões gringos (os brasileiros não se posicionaram oficialmente) era mais do previsível. O real como ele é, por princípio, não permite edição e a edição é maior arma que os meios de comunicação têm para moldar a realidade a seu gosto.

É como no cinema. Os que entendem da sétima arte dizem que o filme é feito na edição – ou seja, a “realidade” que o diretor quer que vivamos diante da tela se faz por meio da ordenação das cenas de uma determinada maneira, que quase nunca segue a ordem em que foram filmadas . O mesmo acontece no jornal e na TV, principalmente – a “realidade” que nos é apresentada não é aquela em que os fatos aconteceram e mesmo da maneira como aconteceram.

Pensando bem, a edição é ainda mais importante para o jornalismo do que para o cinema. Afinal, nem diretor de documentário tem a pretensão de convencer a nós, que estamos na poltrona da sala de projeção ou no sofá da sala, que o que estamos vendo é a “realidade real”. E isso é exatamente do que nos querem convencer os meios de comunicação, até por uma questão de sobrevivência – afinal, se eles  confessarem que o que trazem para nós é uma edição, um determinado enquadramento da realidade, e não a totalidade do real, o valor daquilo que fazem cai muito, não é?

2 comentários sobre “Wikileaks, jornais, cinema e realidade

  1. Na verdade não, no caso do cinema, mas sim no caso do jornalismo. Cf. NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário.

    • Me expressei mal, Guillermo, perdão. Quis falar apenas no caso do jornalismo. No caso do cinema, obviamente não, já que, como escrevi, mesmo o documentarista sabe que o espectador tem consciência de que aquela é a realidade enquadrada por ele e aceita isso sem questionar o valor da obra.

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