Primarismo

Veja a que nível chegou o noticiário econômico nos jornais brasileiros:




Os/As coleguinhas que escreveram e editaram isso devem ser aguerridos militantes do Tea Party para não considerarem que a Apple não tem obrigação de garantir escola pública de qualidade a crianças e jovens; atendimento igualmente qualificado a todos, especialmente idosos; providenciar fornecimento de energia, manutenção de estradas, segurança para tudo isso e muito mais. A Apple tem obrigação apenas de ganhar dinheiro, o que faz muito bem.

Comparar empresa privada com serviço público é o mesmo que comparar futebol com basquete sob o argumento de que os dois esportes são praticados com bolas.

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4 comentários sobre “Primarismo

  1. O asnário escancarou suas portas e não deve fechar tão cedo. Isso é que dá insistir nessas faculdades de jornalismo, que deveria ser disciplina de pós-graduação. O cara se formava em alguma coisa que preste primeiro e depois ia se meter com o jornalismo…

    • Verinhas, a culpa,creio, não é de apenas de um elo da corrente. Claro que há faculdades de jornalismo ruins, talvez sejam até a maioria, mas os oriundos delas dificilmente conseguem uma vaga na redação desse jornal do qual não citei o nome, mas nós dois sabemos qual é. E quando conseguem, dificilmente se mantêm por muito tempo. Normalmente, os jovens empregados das grandes redações do Rio saem, em esmagadora maiora, de quatro universidades: UFRJ, UFF, UERJ e PUC. Todas têm professores muito bons e esses jovens já entram nelas com base forte, obtidas em colégios particulares de bom nível (alguns de ótimo nível), após passarem por um vestibular duríssimo – Comunicação está sempre entre as cinco carreiras mais disputadas. Posso dizer que, como supervisor de estágio da empresa em que trabalho, que tendo lidado com eles e a maior parte dos que vêm das universidades citadas são bem formados culturalmente. Mas, claro, são jovens. Não têm experiência de vida, tendem a achar que o mundo começou com eles (nós também, no nosso tempo, também tendíamos a acreditar no mesmo) e têm baixa tolerância à frustração – essa faceta sim um tanto característica dessa geração. Em poucas palavras, precisam de orientação, como todos os jovens.
      O problema, me parece, reside aí. Os chefes desses jovens estão mais preocupados com o bônus da participação dos lucros que vêm no fim do ano do que em orientá-los, já que os bônus não são contabilizados levando-se em consideração o bom jornalismo, mas quanto se gastou de táxi ou telefone para apurar uma determinada matéria. Sem contar que, como muito desses chefes galgaram seus cargos não por competência, mas por outros motivos, não estão muito interessados em desenvolver o talento de um rapaz ou moça que lhes pode tomar o lugar.
      É claro, porém, que você pode estar certo e que a culpa toda recaia sobre as faculdades de jornalismo. Se for assim, no médio prazo – cinco ou seis anos – teremos a emergência de um jornalismo de alto nível no Brasil. Afinal, com o fim da necessidade de diploma para o exercício da função de jornalista poderá haver uma corrida de bacharéis em direito, historiadores, arquitetos, médicos, engenheiros, administradores etc, que,conforme o seu raciocínio, elevarão o nível das redações, já que são muito mais bem preparados do que os jornalistas. Eu não acredito, pois não vejo por que um bom profissional de outra área se submeteria a ganhar um salário baixo para trabalhar sob pressão intensa inclusive em sábados, domingos e feriados. Mas, enfim,posso estar.errado nisso também. Vamos ver.

  2. O problema não é a faculdade, senhores. É o jornal, tão ou mais ultraideológico que o Tea Party…

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