O grande golpe

Não sei se a patente é dos deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, mas o golpe certamente foi aperfeiçoado pelas excelências fluminenses. Consistia (e, pelo que sei, ainda consiste) em avisar a algum empresário que haverá uma CPI sobre algum assunto ligado à área de negócios dele e que o sujeito será chamado para depor. Como não há homem de negócios que esteja inteiramente dentro da lei  (e nem precisa ser desonesto – há tantas leis que é mesmo quase impossível cumpri-las todas), o cara chama os deputados e aí rola aquele balcão que todos sabemos.

A malandragem foi denunciada pela imprensa, com a devida indignação. No entanto, eis que os veículos parecem ter desenvolvido a sua própria versão do golpe. Funciona assim: faz-se uma matéria de denúncia envolvendo agentes públicos (não pode faltar ataque ao Estado, se não ninguém fica indignado) e um empresário.  Não se apura devidamente o lado da empresa – até porque, para que o golpe funcione bem, tem que parecer que o denunciado é o agente público –, que, apesar de não acusada diretamente, fica com a pecha de corruptora no processo. Daí, o único trabalho é o comercial deixar os ramais desocupados à espera da companhia , que, com sua credibilidade empresarial em xeque, paga um anúncio para dar a sua versão do fato, que não foi devidamente veiculada na matéria.

Uma beleza, não? Simples e eficiente.  Só espero que os coleguinhas que estão no esquema pelo menos estejam recebendo bem pela sua participação fundamental no golpe.