Menos, Vasco, menos

Todas as instituições têm seus mitos fundadores, aqueles que os definem como entidades e dão aos seus cidadãos, empregados, torcedores, etc uma história em comum, agem como se fossem os tótens do tempo dos clãs. Tudo bem, faz parte, mas o Vasco anda exagerando. Depois da lendária – e parece que inamovível – história de que foi o primeiro clube a aceitar negros no futebol brasileiro, o clube de São Januário dá um passo a mais e agora vende a versão de que o terceiro uniforme deste ano, baseada na camisa na camisa totalmente negra de 1924, é uma homenagem ao combate ao racismo.

A bem da realidade, mas sem nenhuma esperança de que a verdade histórica seja levada em consideração, conto o que realmente aconteceu, história reconstruída durante o maravilhoso ano e meio que passei, em meados dos 80, como pesquisador de um projeto sobre história do esporte financiado pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Universidade Cândido Mendes. Nesse tempo, pude ler as atas das reuniões do Conselho Deliberativo do Vasco de boa parte dos anos 20, folheei jornais e revistas e ouvi depoimentos de pessoas ligadas ao clube –  também de outros – na época. O que aconteceu foi o seguinte (conto de memória, por isso não há aqui os muitos detalhes que obtive à época e hoje devem estar perdidos):

1. O “pioneirismo” na luta contra o racismo é a parte básica e o seu exagero é facilmente demonstrado por um dado que é sabido por todos o que trabalharam com história do futebol: o primeiro clube a ter negros em suas fileiras, incluindo na diretoria, foi o Bangu. Isso pelo simples fato de que, entre seus fundadores e primeiros atletas, praticamente todos eram negros, operários da fábrica de tecidos Bangu, que montaram um time (e depois um clube, em 1904) para se contraporem aos engenheiros e administradores ingleses da fábrica.

No que se refere ao Vasco, ter negros no time foi uma necessidade baseada na (já naquela época) histórica rivalidade com o Flamengo, que vinha do tempos das regatas na Lagoa Rodrigo de Freitas  Enseada de Botafogo (obrigado, Jucabala), as quais, no início do século passado, arrastavam multidões.

O Vasco conquistara o título da Segundona de 22 com um time formado, em quase sua totalidade, por rapazes de famílias portuguesas. Não eram craques, longe disso – afinal, a maioria gostava mesmo era de remo -, mas como tinham mais berço (os pais eram comerciantes ou profissionais liberais com boa posição, alguns ricos mesmo) podiam treinar mais que seus pobres adversários dos subúrbios cariocas, como River, Everest, Confiança (o da fábrica do samba do Noel) etc. O problema é que, na Primeirona, o buraco era mais em cima e os dirigentes vascaínos descobriram o fato da pior maneira.

Visando preparar-se para as pugnas de 23, os jovens gajos realizaram amistosos contra times que jogaram a primeira divisão em 22, antes da temporada começar, o que acontecia, em geral, em abril, após o carnaval e quando a temperatura era mais amena. Não encararam Flamengo, Fluminense ou Botafogo, já então papões do futebol carioca, ou o ainda poderoso América, campeão do Centenário da Independência. Enfrentaram adversários mais modestos, o Andaraí e o São Cristóvão, últimos colocados do certame do ano anterior. Foi um desastre – duas derrotas, sendo que para o Andaraí de 4 a 0. O sinal ficou vermelho, alarmes soaram, estridentes, e os dirigentes do clube da Moraes e Silva (a sede ficava nessa rua da Tijuca) viram que tinham que fazer algo para evitar a humilhação diante dos grandes da Zona Sul(e do quase vizinho América), especialmente do Flamengo.

O algo foi aperfeiçoar o “profissionalismo marrom”. De três ou quatro anos antes, os clubes vinham dando “ajudas de custo” aos futebolistas mais bem dotados tecnicamente. Era uma prática ainda restrita porque os jovens de Botafogo, Fluminense e Flamengo eram, em sua maioria, de famílias ricas, não precisando da ajuda. Alguns, mais necessitados, porém, não se faziam de rogados, e esta era a regra em outros clubes, especialmente o América, cujo principal jogador, Floriano (cognominado “Marechal da Vitória”), chegava a se fingir de doente poucos momentos antes das partidas mais importantes, ameaçando não jogar se não garantissem metade do “bicho” antes do jogo (“bicho” era a senha usada para não se falar em dinheiro e fazia alusão ao jogo do bicho).

O Vasco sistematizou e ampliou o método. Os comerciantes portugueses contratavam os bons jogadores dos times de várzea dos subúrbios – a imensa maioria negros e mulatos – como empregados (a exploração do veio das peladas, essa sim foi a grande contribuição vascaína ao futebol do Rio). Eles realmente ficavam uma parte do dia no emprego, mas, antes do expediente e lá pelo fim da tarde, iam para a Quinta da Boa Vista fazer exercícios sob as ordens do uruguaio Ramon Platero, sujeito durão que obrigava os rapazes a correr sem parar, todos os dias pela manhã, da Quinta até a praça Barão de Drummond, em Vila Isabel. Bem preparados, não foi difícil aos vascaínos detonarem quase todos os adversários (só houve uma derrota e logo para quem – Flamengo, por 3 a 2, no segundo turno. Mas dizem que foi roubado). Furiosos com o massacre, os grandes de então acabaram criando uma liga separada do Vasco – Associação Metropolitana de Esportes Athléticos (Amea) -, numa cisão que durou apenas um ano.

2. (É, esse texto enorme aí de cima foi apenas o item 1, mas este vai ser curtinho). Em 1922, Benito Mussolini marchara sobre Roma para obrigar o então rei Victor Emannuelle III a torná-lo primeiro-ministro. O futuro Duce era apoiado por milícias que tinham como uniforme camisas negras. Mussolini tinha muitos e fiéis defensores na colônia portuguesa do Rio, que ajudaram bastante, anos mais tarde, na implantação na terrinha da ditadura de António de Oliveira Salazar, em 1932. Assim, embora eu não tenha provas a respeito, desconfio fortemente que a camisa de 1924 tem menos a ver com o racismo do que com o fascismo.

Mas quem é que vai querer saber disso tudo agora, não é mesmo? A tal história da luta contra o racismo, afinal, é tão mais bacana, mais “sexy”, como diria o Arnoldão Schwarznegger.

40 comentários sobre “Menos, Vasco, menos

  1. Enquanto isto, meu colorado S. C. Internacional de Porto Alegre (RS) é o único time brasileiro de qualquer divisão a ter um negro como mascote. Negro e portador de necessidades especial.

  2. Rapaz, que história! Você é uma enciclopédia do futebol, quase um Nilton Santos sem bola.

    A história do Bangu eu já sabia. Vascaíno é tudo mentiroso mesmo rsrsrs. Mas eu não conhecia esses detalhes do porquê eles contratarem negros.

    E essa das camisas negras então…

    Abração

  3. Ah sugestão, se um dia você não tiver mais nada para fazer, publica aquela história da Copa União que me contou. Embora eu seja flamenguista, sua versão parece ser a mais verdadeira dentre todas que ouvi.

    • Acho que já contei uma vez. Só que essa história da Copa União é muito nova, além de só vocês acreditarem que são campeões de 87 – o resto do mundo sabe que foi o rubro-negro do Recife. O caso do Vasco é oposto – todo mundo acha que é verdade.

  4. Engraçado, não vi ninguém falando que a camisa negra era uma alusão ao racismo. O Dinamite, do jeito que é equivocado e que ignora a história do Vasco, assim como boa parte de sua diretoria, até poderia ter dito isso, mas não vi. O que vi, e o que é verdade, é que a camisa em questão (linda, por sinal) é alusiva ao uniforme usado pelo time do Vasco no bicampeonato de 1923/24, e que esse Vasco foi o primeiro time campeão formado por negros, pobres e mulatos, fato que, por si só, justifica a homenagem. Quanto à “verdade” dos fatos, nenhuma novidade. Há anos que tentam reescrever a história do futebol carioca, principalmente o episódio mais revolucionário dessa história, que foi, sem dúvida alguma, o surgimento do Vasco, o aparecimento de um clube da colônia portuguesa em oposição aos três “co-irmãos” da elite da zona sul carioca. Curiosamente, esses “historiadores” são, invariavelmente, torcedores de flamengo, fluminense ou botafogo, que consideram um “crime” o que o Vasco fez na época, como se o Vasco não tivesse, de fato, aberto as portas do clube a quem não era aceito pelos “grandes” da época, como se o certo fosse o regulamento da federação de outrora, que obrigava, por exemplo, os negros do Bangu a ralarem o quengo na fábrica dos pais dos bons moços de fla, flu e bota durante toda a semana (imagina o regime de trabalho dos operários naquela época, hein?) para pegarem os rapazes descansados no fim de semana. Porque o regulamento obrigava que os jogadores comprovassem trabalho ou estudo. Os negros do Bangu trabalhavam à beça, muito, enquanto os brancos de fla, flu e bota curtiam a vida antes dos jogos. Aí veio o Vasco, registrou os negros como empregados nos armazéns da portuguesada mas dava vida mansa pra eles, e eles, treinando e jogando muito, arrasaram com os bons moços, com os lordes de boa família, e até hoje tem botafoguense, flamenguista e tricolor chiando, tentando mudar a história. Engraçado também que nessas “revisões” da história, nunca se fala da tentativa da Federação presidida por um Guinle (tricolor, lógico) de banir os jogadores do campeão de 1923 porque estes eram, ora pois, negros, pobres e mulatos. Ele deve ter tido razões muto nobres para fazer isso, não é mesmo?

    Quanto à essa alusão ao fascismo, meu caro, meus parabéns, você bateu recorde. Me lembrou as “melhores” manchetes de O Grobo sobre o governo Lula. Não vou nem falar sobre o estatuto do Vasco, sobre as cores da bandeira, do escudo, sobre o simbolismo dessas cores (o negro dos mistérios dos mares desconhecidos, a faixa branca do caminho descoberto até as Índias, a cruz das caravelas do grande navegador…), para não derrubar de vez essa tua tese tão bacana, tão sexy…

    • Vamos lá:
      1. Fluminense, Flamengo e Botafogo foram racistas no início do século passado (o primeiro ainda é e desconfio seriamente do terceiro) isso é inegável. Assim como inegável é que os negros eram empregados dos dirigentes do Vasco – desde os primeiros livros que falam da história do futebol carioca esse assunto é tratado. Foram contratados para não dar vexame e ganharam o título como toda a justiça e louvores, também sem discussão. O que não dá para aceitar é querer que esses fatos passem por luta antrracista. Os dirigentes do Vasco eram tão racistas quanto os diretores de Flu, Fla e Botafogo.
      2. A informação sobre a camisa representar a suposta luta antirracista esteve em todos os jornais na ocasião da visita do Obama.
      3. A ilação sobre os “camisas negras” é apenas isso mesmo, ilação. Uma suposição sem provas concretas, como escrevi. Creio que seria caso de uma investigação histórica séria, feita por historiadores profissionais, mas tenho a triste impressão de que isso não ocorrerá por falta de interesse da Academia.

  5. “Os dirigentes do Vasco eram tão racistas quanto os diretores de Flu, Fla e Botafogo.”

    Mentira da grossa, digna da primeira página do Grobo.

    É impressionante como sujeitos inteligentes podem escrever as maiores asneiras quando o tema envolve paixão. Futebol, basicamente, é isso: paixão.

    O Vasco elegeu um presidente negro, Cândido José Araújo, em 1904, apenas 16 anos depois da abolição da Escravatura. Será que ele era racista? Será que quem elegeu ele era racista? Imagina esse tipo de racismo lá no Mississipi de 1904… Em que beleza do mundo estaríamos vivendo, né não?

    Flu, Fla e Bota têm a mesma origem. O Vasco, não. O Vasco é clube de colônia portuguesa, e da Zona Norte. Flu, Fla e Bota são da Zona Sul, e nos seus primórdios eram formados por jovens bem nascidos que faziam seus estudos em Londres, Paris etc etc… De Luiz Edmundo a João do Rio, de Aluisio Azevedo a João Ubaldo Ribeiro, não foram poucos os autores que citaram o quanto alguns portugueses (principalmente os comerciantes que prosperaram sozinhos, sem família rica, e aqueles que, no Rio, se estabeleceram na zona norte, fora dos bairros mais nobres, como os que fundaram o Vasco) gostavam de “miscigenar” e como não ligavam muito pra esse negócio de cor.

    Eu sei que é difícil pra tricolores, botafoguenses e flamenguistas aceitarem isso. Vocês escolheram seus times quando eram crianças. Lógico que não sabiam da história. Seus pais, provavelmente também tricolores, botafoguenses e flamenguistas, não foram bobos de contar uma história que só enaltece o Vasco. Aí vocês cresceram, tomaram conhecimento (alguns não, preferem ficar na ignorância) de histórias como essa do surgimento do Vasco no futebol e ficaram com a pulga atrás da orelha. Mas será que foi isso mesmo? perguntam, incrédulos, loucos para descobrir “verdades” que coloquem o Vasco no mesmo papel histórico de fla, flu e bota. Movidos pela paixão do futebol, pela mais clara e simples paixão de torcedor, surgem os “historiadores” que tentam revisar a história. Qualquer informação vale para tentar jogar o Vasco no mesmo balaio de fla, flu e bota.

    Aí surgem frases como essa que inicia meu comentário, sem qualquer embasamento, inspirada apenas pela vontade que o autor da frase tem em igualar o time dele, racista a ponto de empestear um atleta com pó-de-arroz para disfarçar sua pele escura, com o Vasco.
    “Meu time era racista, mas o Vasco também era”, diz o “pesquisador” botafoguense, brada o “historiador” tricolor, urra o jornalista flamenguista”.

    “O Vasco só usou os negros para tirar vantagem disso”. Essa é a preferida de vocês. Até Mário Filho, flamenguista doente, disse isso em seu livro O Negro no futebol brasileiro. Disse, mas não provou, claro. Disse movido pela mesma paixão.

    Se o Vasco tirou alguma vantagem na formação do time de 1923, foi da ausência de preconceito de seus dirigentes. Numa época em que negros não passavam nem pela porta dos fundos das Laranjeiras, da Gávea, e de General Severiano (a não ser com quilos de talco sobre a pele escura), o Vasco abriu as portas de São Januário para os negros, deu a eles tratamento de atletas e até hoje agradece a eles, reverencia eles, por tudo o que fizeram pelo Vasco nos gramados.

    Estávamos em 1923. No sul dos EUA, respeitáveis chefes de família vestiam capuz branco e saíam fazendo fogueiras noite adentro. Aí um clube de uma cidade como o Rio abre as portas para os negros, pobres e mulatos. Recruta, sim, sem dúvida alguma, um belo time nos campos de pelada da cidade. Grandes jogadores que nunca teriam a chance de jogar contra os rapazes da elite branca carioca não só jogam, como vencem, inapelavelmente, e você quer dizer que esse fato histórico não representa, por si só, uma luta contra o racismo? Como não, meu caro?

    Não foi a partir daí que o negro passou a participar ativamente do futebol? Não foi a partir daí que o futebol se democratizou e desbancou o remo na preferência nacional? Não foi a partir do time do Vasco de 1923, do goleiro Nelson, dos zagueiros Leitão e Mingote, que surgiram Fausto, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e, muito depois, Pelé?

    Foi. Claro que foi. Óbvio que foi. E também foi graças a essa estratégia de seus dirigentes q

  6. continuando…

    Foi graças a essa estratégia de seus dirigentes que o Vasco pode ostentar não só o título carioca em seu primeiro ano na primeira divisão do Rio como vitórias incontestes nos primeirs confrontos da história com Bota, Fla e Flu. E é isso que vocês não aceitam. Até hoje.

    Quanto às camisas negras e o fascismo, duvido que algum “historiador sério” continuasse a tal pesquisa depois de ler o estatuto do Vasco. Estão lá os motivos das cores do clube. O resto, como você mesmo falou, é ilação. Mas pode confessar… Que vontade que você tem que essa bobagem fosse uma “verdade histórica”, né não?
    Vende a ideia pra editoria de esportes do Grobo. Aposto que eles “comprovam” isso e arrumamum belo espaço pra difundir essa tese…

    • Luis, se acreditar nessa versão da história é tão importante para você, a ponto de ser agressivo, tudo bem. O que se pode fazer?

  7. Eleger um negro como presidente no ano de 1904, repito, 16 anos depois da Abolição da Escravatura, “não é prova contundente de nada”?

    Um presidente negro tem o mesmo peso que jogador negro disfarçado com pó-de-arroz quando se discute racismo?

    Meu caro, se dei a impressão de ser agressivo, me desculpe. Não foi essa a intenção. Mas diante dessas tuas opiniões embasadas por nada, apenas pela tua vontade, acho que não sou bem eu que acredito no que quero acreditar…

    • Não estávamos discutindo racismo. Estávamos discutindo se o Vasco era mesmo um clube antirracista em 1923 ou apenas foi obrigado, por contingências, a usar jogadores negros, como já o faziam o Bangu, o América e até o mesmo o racistíssimo Fluminense.

  8. E eleger um presidente negro no ano de 1904 não é uma atitude antirracista?

    E formar um time com vários negros, dando a eles status de atletas, e lhes prestando todas as honras merecidas pelas vitórias no bicampeonato de 23/24, sem que eles tivessem precisado se cobrir de talco, não é uma atitude antirracista?

    Você diz que o Vasco foi ‘obrigado pelas contingências’ a buscar jogadores negros. Será que a própria falta de preconceito de seus dirigentes não motivou essa busca? Será que o fato de os dirigentes pensarem nessa solução, sem sequer cogitar a possibilidade de tentar disfarçar a cor de seus jogadores, por si só, não é uma atitude antirracista?

    Eu acho que é.

    Isso, claro, se a gente considerar que houve de fato essa busca desenfreada dos dirigentes vascaínos por jogadores entre o título da segunda divisão de 1922 e a conquista do campeonato carioca de 1923. Com todo o respeito, e sem querer parecer agressivo, longe de mim, acho que há um certo equívoco quando você fala que o Vasco conquistou a segundona carioca de 22 com um time “formado em quase sua totalidade, por rapazes de famílias portuguesas”.

    Digo isso porque uma rápida pesquisa nos times-base do Vasco em 1922 e 1923 (no site do pesquisador vascaíno Mauro Prais) mostra que a base dos dois times era a mesma. Veja só:

    Vasco de 1922: Nélson, Mingote e Leitão; Arthur, Bráulio e Nolasco; Paschoal, Pires (Dutra), Bolão, Torterolli e Negrito.

    Vasco de 1923: Nélson, Leitão e Mingote (Cláudio); Nicolino, Bolão e Arthur; Paschoal, Torterolli, Arlindo, Ceci e Negrito.

    Como podemos ver, nada menos que oito jogadores fizeram parte das duas conquistas. E quem se der ao trabalho de conferir uma foto dos times de 22 e 23 com a escalação embaixo, vai constatar que jogadores como Nelson, Mingote, Bolão, Torterolli e Negrito (simbólico esse, né?), todos campeões em 22, se faziam parte de famílias portuguesas, só podia ser graças ao saudável costume de nossos antepassados na arte da miscigenação…

    • Tá bom, Luis. Você segue acreditando no que acredita e eu sigo acreditando no que descobri nas pesquisas que fiz.

  9. Menos, Ivson, menos…

    Se voce passou tanto tempo fazendo pesquisas sobre esse assunto e chegou `as conclusoes que apresentou aqui, lamento pela Fundacao Roberto Marinho e a Universidade Candido Mendes, que sustentaram as suas pesquisas.

    Chega a ser impressionante como quase todas as suas afirmacoes sao, na verdade, distorcoes toscas ou conjeturas fantasiosas. A maioria delas ja’ foi convincentemente refutada pelos excelentes posts do Luis Nascimento, de modo que nao vou me dar ao trabalho de repetir o que ele ja’ disse. Vou apenas acrescentar o seguinte:

    1) A melhor referencia sobre a historia do Bangu e’ o livro “Nos e’ que somos banguenses”, de Carlos Molinari. A historia contada nesse livro e as fotos nele apresentadas jogam por terra a sua estoria fantasiosa de que, na origem do Bangu, “entre seus fundadores e primeiros atletas, praticamente todos eram negros, operários da fábrica de tecidos Bangu, que montaram um time (e depois um clube, em 1904) para se contraporem aos engenheiros e administradores ingleses da fábrica”. A verdade, contada no livro, e’ bem diferente. O time de primeiro quadro do Bangu era, sim, nos seus primeiros anos, formado quase todo por administradores e engenheiros da fabrica, a maioria ingleses, e so’ ocasionalmente completado por operarios, dos quais, as vezes mas nem sempre, um ou no maximo dois eram afro-descendentes. E’ verdade que, por causa desses um ou dois, o Bangu foi varias vezes vitima de discriminacao por parte dos clubes aristocraticos e da propria Liga, que era controlada por eles. Num dado momento o Bangu chegou a se desfiliar em sinal de protesto, mas voltou uns anos depois sem que nada tivesse mudado. Sempre se submetendo `a vontade dos outros clubes e servindo de saco de pancadas, o que muito agradava aos clubes vitoriosos por verem nisso uma corroboracao dos seus sentimentos racistas. Por isso nao se pode dizer que o Bangu tenha sido um pioneiro da luta anti-racista. Aquele que conseguiu modificar esse quadro gracas a suas proprias lutas e conquistas, lamento informar, nao foi o Bangu.

    Como disse o jornalista e pesquisador Roberto Assaf num dos seus programas na Lance TV: O Vasco nao foi nem o primeiro nem o segundo clube brasileiro a escalar negros, mulatos, pobres ou analfabetos. O que o Vasco fez foi muito mais importante que isso.

    2) Em 1916, o primeiro ano em que o Vasco disputou um campeonato de futebol, todos os jogadores eram descendentes de portugueses. Ja’ em 1917 comecou a pratica pelo clube de recrutar jogadores de clubes do suburbio sem discriminacao de cor ou posicao social, e nao somente em 1923, como voce afirma.

    3) Lista completa de amistosos realizados pelo Vasco entre a partida eliminatoria de 1922, que garantiu a subida para a serie A, e o inicio da Serie A em 1923:

    07/12/1922 Vasco 3×6 Botafogo (RJ) (jogo-treino)
    17/12/1922 Vasco 0x2 Britânia (PR)
    30/12/1922 Vasco 1×0 Escola de Guerra (RJ)
    14/01/1923 Vasco 3×1 Americano (Capital) (RJ)
    21/01/1923 Vasco 4×2 Byron (RJ)
    11/03/1923 Vasco 3×2 Fluminense (RJ) (sim, o time principal do Flu, um dos papoes do futebol carioca. Inclusive, estava em jogo um trofeu chamado Taca Avelar).
    25/03/1923 Vasco 7×1 Petropolitano (RJ)

    Vasco e Sao Cristovao (o lanterna da Serie A de 1922, como voce escreveu) se enfrentaram na chamada partida eliminatoria, em 5/11/1922, e o resultado foi 0x0. Com esse resultado, o Vasco subiu e o Sao Cristovao nao desceu, sendo aumentado o numero de participantes da Serie A de sete para oito. Nessa partida, bem como durante o campeonato da serie B de 1922, o time titular do Vasco ja’ apresentava oito jogadores que tambem disputaram a serie A em 1923.

    Antes disso, Vasco e Andarai haviam se enfrentado duas vezes na historia, uma vitoria do Andarai por 2×1 em 27/2/1921 e empate por 1×1 em 16/10/1921.

    Levando em consideracao esses dados, suspeito seriamente que ou a sua pesquisa foi completamente equivocada ou que voce nem pesquisou coisa nenhuma, apenas inventou umas mentiras com a esperanca que ninguem desconfiasse.

    4) A camisa toda preta do Vasco era inspirada pela camisa da Selecao de Lisboa, que fez partidas amistosas no Rio em 1913. Apos essa visita, a colonia portuguesa se entusiasmou e fundou alguns clubes de futebol, entre eles o Luzitania S.C., que tinha uniforme identico ao da Selecao de Lisboa, ou seja, camisa preta com esfera armilar portuguesa no peito e calcoes brancos. No final de 1915 o Luzitania se fundiu ao Vasco, sendo assim criado o departamento de futebol no clube. O uniforme de futebol continuou sendo o do Luzitania, com excecao do escudo, que foi substituido pela cruz de malta. A sua tentativa de associar a camisa preta vascaina com a camisa preta fascista italiana e’, portanto, uma especulacao pra la’ de tosca.

    Para quem conhece a verdadeira historia do futebol carioca e seus clubes, fica evidente que suas alegacoes nao passam de falsificacoes grosseiras. Se voce realmente fez pesquisas, deve ter descoberto fatos bem diferentes, que, ou por incompetencia, ou por algum motivo inconfessavel, voce resolveu distorcer.

    Enfim, e’ possivel que a Fundacao Roberto Marinho tenha gostado…

    Francamente,

    Mauro Prais

    • É, Mauro, a verdade dói. Mas é melhor do que qualquer mentira, intencional ou não, por melhor romanceada que seja. Vai por mim.

  10. Ivson,

    A verdade doi em pessoas descompromissadas com ela, o que nao e’ o meu caso. Pelo que vejo, deve ser o seu. Ja’ a mentira, nao doi, porque e’ ficticia, mas pode irritar, se for maldosa, ou ate’ fazer rir, se for muito boa. As suas sao apenas sem graca. Se voce acha mesmo que a verdade e’ melhor que qualquer mentira, precisa ser mais cuidadoso e esforcado na sua busca e nao se influenciar por recalques e passionalismos. Muito fraco, rapaz.

    • Bom, eu garanto minha isenção no assunto, apesar de ser tricolor. Você garante a sua?

    • Não, velho. Foi estudando, pesquisando e trabalhando duro mesmo.

      • Então Coleguinha.. antes de qualquer conclusão infundada, aprofunde sua pesquisa em busca de novas e variadas fontes. Quanto mais remota melhor! O VASCO NASCEU CAMISA NEGRA para enfrentar de cara o primeiro pre-conceito: o anti-lusitanismo dos jacobinos! Leia, envelheça e amadureça! Sucesso! 😉

        • Velho, eu li as atas das reuniões do Vasco de 1898 (a de fundação) e de 1903 a 1925, lá mesmo em São Janú. Ser mais remoto do que isso é meio difícil. Até sugeri que eles colocassem em exposição as mais significativas, mas não fizeram. Pelo que sei, é bem capaz de tudo ter sido devorado pelas traças, o que seria uma pena.
          Enfim…

  11. Coleguinha, você ainda está pecando pela falta de diversidade de fontes. Você precisa buscar, investigar, imaginar, intuir sobre a multiplicidade delas. Tem que ter ansia e paixão por descortinar o conhecimento histórico. Não se pode ficar supondo. É necesário saber e entender o TODO pela soma de todos os fatos PARTICULARES, sob os seus mais variados matizes!

    Temos um exemplo desse tipo de lógica apressada neste site abaixo, onde o autor vascaíno erra sobre quase tudo, apesar da sua imensa boa vontade! Até mesmo o livro do Aldir Blanc citado no texto está errado ao indicar onde seria o endereço atual da fundação do Vasco.
    http://jornalvascaino.blogspot.com.br/2012/08/aqui-nasceu-o-club-de-regatas-vasco-da.html

    As atas a que você se refere são apenas um aspecto dessas fontes. Assim o ato de “inferir” fica prejudicado. Ahhh… exceto pela ata de fundação que foi devolvida pelo fundador José Lopes de Freitas em 1918… desde os anos 20 o Vasco não dispõe de ata alguma anterior a 1915. Estranho esse repentino aparecimento.

    Sobre preservação de documentos, isto está fora do meu, do seu, e de quem não tem autoridade administrativa sobre qualquer acervo. Só a autoridade ( a pessoa que administra a instituição pública ou privada) tem esse poder de preservar e restaurar qualquer documento. E isso só se faz com recursos disponíveis. Mesmo o Arquivo Municipal do Rio de Janeiro está pecando com os diários legislativos do antigo Conselho Municipal disponíbilizados para consulta ao público… está tudo se esfarelando e ninguém nem ao menos pensou em digitalizar num scanner qulaquer. Coisas da Política.

    Um outro conselho: use a imaginação porque a cultura oral de uma geração se distorce em poucos anos… igual à brincadeira do telefone sem-fio. Pense nisso Historiador, pois ao lidar com mitos na crença de que eles sejam falsos, muitas das vezes eles foram somente amplificadores da verdade!

    • Caro, fonte melhor que o próprio clube não há. Sinto muito.

  12. Autor do blog, por que você não retifica esse seu texto? Seja honesto. Confere o link. Olha as “camisas negras do Duce” sendo usadas pelo Vasco quando o ditador italiano ainda usava chupeta, muito antes da ascensão do fascismo. Sua pesquisa é um insulto aos historiadores, jornalistas e pesquisadores. Tenha a hombridade de retificar esse seu “item 2” que de maneira safada associa o Vasco ao fascismo. Beira o retardo mental comparar uma camisa negra de um clube carioca, fundado em 1898, de governo estrangeiro implementado na década de 20. Respeite uma instituição centenária e a colônia portuguesa do Rio de Janeiro

    • Tenho tanto respeito pelo Vasco que não ouso mutilar sua história. A grandeza de uma instituição é feita de todos os seus momentos – bons e maus – que procurar esconder qualquer um deles é um insulto. O Vasco tinha camisas negras no remo, sem dúvida, mas, no futebol, elas foram utilizadas porque a maior parte da colônia lusa apoiava o fascismo, a começar por Portugal, onde Salazar era ditador e estava de acordo com Mussolini. Olhando de hoje isso é motivo de vergonha, mas na época não era – o fascismo era uma ideologia com enorme número de adeptos e simpatizantes – como, aliás, ainda o é hoje e a colônia portuguesa era majoritariamente fascista.
      Enfim, para você tentar entender a questão da História, sugiro ver o filme “Hannah Arendt” (acho que está ainda em cartaz, mas, se não estiver, já pode ser visto em algum outro suporte). Assistindo-o, espero que você compreenda que amar uma instituição é aceitar como ela foi e é, não como a gente gostaria que fosse (aliás, isso vale para os seres humanos também), e não alterar a sua história.

      • Não pude deixar de ler a manifestação acima. Ao se afirmar que “Tenho tanto respeito pelo Vasco que não ouso mutilar sua história.” devo reconhecer que o autor “realmente” admira positivamente a história do Vasco, acredito piamente que não deve conter qualquer cinísmo em sua resposta.

        Como o autor também é adépto da filosofia, deve seguir o pensamento socrático, apesar de Aristóteles ser mais amigo da verdade.

        E por isso por favor, denecessário responder a esse post. Já sei a resposta. Não serei eu a te demover da “verdade” que você “acredita”!

        PS: É duro ter de se ler que o uniforme da seção de futebol do Vasco, criado em novembro de 1915, está correlacionado com a milícia facista italiana, surgida somente em 1919, para em seguida interligar o termo “camisas negras”, com o mesmo futebol. Causa espanto que esse termo só foi utilizado pela imprensa esportiva somente em meados dos anos 30! Temos aqui portanto, um grande sofista, apesar do autor ter comido muita merenda na hora da aula de história.

        • Oops! Você voltou! Que prazer!

          Ressignificação é um conceito um tanto abstrato, melhor então ir ao exemplo concreto: o Flamengo.

          Como não se ignora, o rubro-negro é conhecido como o time do “povão”, entendido aí como do preto e do pobre. Só que, em sua origem, o Flamengo era um clube elitista. Tão elitista que o seu departamento de futebol foi criado pela elite do Fluminense, o mais segundo clube mais elitista da época (só perdia pro Rio Cricket).

          Durante anos, não houve um clube do “povão’, até porque o “povão” só começou a se ligar em futebol lá por meados dos anos 20. E adivinhe quais eram os clubes do populares da época? O Vasco – até por ter negros no time – e o…América! É, o Ameriquinha! Que, ora veja, tinha camisa negra também, mas teve a cor mudada para vermelho exatamente para não haver confusão com o fascismo (até radicalizam botando o vermelho, pois havia simpatizantes socialistas no clube). O Flamengo só começou a se tornar popular quando, em 1936, contratou Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, iniciando a demolição final do que ainda havia de racismo no clube. Ou seja, Leônidas ressignificou o Flamengo e sua camisa, e de uma maneira meteórica, diga-se passagem. Não podendo, neste processo, esquecer do papel central dos jornalistas Ary Barroso e Mário Filho, ambos rubro-negros e extremamente influentes entre os aficionados do “velho e violento esporte bretão”, por serem, respectivamente, o locutor esportivo mais popular e o dono do único jornal voltado para cobrir esporte.

          Do escrito acima, pode-se ver que uma instituição pode mudar de significado até o seu oposto inicial, dependendo de circunstâncias externas, preparadas ou aproveitadas, por agentes que pretendam que o processo de ressignificação ocorra. Assim, o fato de a camisa do Vasco ter sido desenhada em 1915 não significa que, em 1923, ela não fosse usada como símbolo de apoio ao fascismo.

          Sobre os camisas negras, eles foram conhecidos assim desde a sua fundação, por Mussolini, em 1919.

    • Não se sinta mal por isso. Seja por sua estreiteza de pensamento, seja pela teimosia inapta, o “dane-se” subliminarmente inserido na sua resposta acima já é o suficiente para se entender o autor, do alto da sua “pompa acadêmica”.

      Siga em frente com essa ética que aparentemente lhe é peculiar. 🙂

      • Caro Jucabala, se eu quisesse ter escrito “dane-se” teria escrito isso. De qualquer maneira, dou-lhe os parabéns pela atitude.

  13. Coleguinhas, veja, nós que somos interessados pela história não podemos vacilar. Como eu disse, não se pode comer merenda na hora da aula.

    Em que pese os seus rodeios, vamos esclarecer:
    1) O Vasco nasceu camisa negra em 21 de agosto de 1898 por seus próprios motivos, como o sr. já teve oportunidade de aprender por aquele link acima citado.
    2) A seção de futebol do Vasco foi criada em novembro de 1915, já com o uniforme composto da “Camisa Negra”.
    3) A Fascio foi fundada 4 anos depois em 1919.
    4) A Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale (a força paramilitar facista), foi fundada 4 anos mais tarde, em janeiro de 1923, sendo designada como “Camicia Nera”, “Camisa Negra” ou “Blackshirt” somente fora da Italia Facista pela imprensa e comunidade internacional, tal qual aconteceu com os nazis ou nazistas que assim também não se auto-denominavam na Alemanha Hitlerista.
    5) O termo “Camisas Negras” só foi utilizado pela crônica esportiva para o time de futebol do Vasco a partir de meados dos anos 30.
    6) O termo “Camisa Negra” deixou de ser designativo do Vasco a partir de meados de 1943 com a adoção em definitivo dos atuais uniformes pelo Vasco.

    Portanto, NÃO HÁ qualquer correlação fascista com a “Camisa Negra” do Vasco. A democratização da informação fundamenta essa verdade:
    (a) Nada nos anos 10: http://migre.me/gTfqU
    (b) Nada nos anos 20 para o Vasco, somente os fascitas eram chamados de camisa negras: http://migre.me/gThD4
    (c): Somente em meados dos anos 30 a crônica esportiva designa o Vasco como “Camisa Negra”, sem qualquer correlação com o facismo, (assim como o Bangu era deignado como “Mulatinhos Rosados”, o São Cristóvão como “Cadetes” etc): http://migre.me/gThRB

    Daí você não ter qualquer prova fundamentada, seja por atas, seja por publicações jornalísticas, seja por depoimentos (exceto os do mal intencionados) em que se afirme categoricamente seja o Vasco dos anos 20 ou 30, uma representação (mesmo que alegórica) do facismo, cuja tese o sr., no seu doce devaneio, abraçou com leviano desejo de desconstruir o MITO VERDADEIRO, qual seja: o de que o Vasco adotou, chamou, convocou, colaborou, ajudou, favoreceu, propiciou espaço para que o pobre, o negro, o humilde, o operário, o comerciário, seja lá quem NÃO fosse da alta sociedade, caminhassem em conjunto para atingir o seu objetivo primeiro, CONQUISTAR todas as divisões de acesso da LMDT. Quando o Vasco conquista à primeira divisão especial em 1923, a primeira parte da história toma um novo rumo. Surge a contra-reação da elite através da diversionista criação da AMEA, cujos dirigentes tentaram cooptar o Vasco a participar, dispensar e se enquadrar na excludente, preconceituosa, intolerante e racista regulamentação.

    Nesse momento, a tomada de decisão foi histórica! O foi por decisão da assembléia geral dos SÓCIOS do Vasco, após dialéticos debates, de variadas posições, prevalecendo a da honra e do orgulho legitimo! O Vasco ficou com a dignidade, ficou os seus atletas!

    ESSE MOMENTO HIISTÓRICO REPRESENTOU A DEFESA CONTRA O PRECONCEITO E O RACISMO – REPERCUTIU NA CULTURA ESPORTIVA E NA SOCIEDADE BRASILEIRA! NÃO HÁ COMO SOFISMAR A RESPEITO DISSO.

    O problema dos seus argumentos falaciosos está em separar o momento político do período esportivo – do interesse do clube – deixando de observar que a fascio “fascinou” também seduziu a sociedade brasileira após a revolução de 30, e o governo Vargas praticamente andou de braços dados com ela. (já diziam os detratores, Vargas era o pai do pobres e a mãe dos ricos).

    Como você bem destacou, o momento histórico era outro. Quem era adépto de uma causa poderia falar bem, e quem não era falaria mal. Pena que seu blá, blá, blá não observa também nesse cenário a “ressignificação” da camisa (nazi?) do Flamengo, ou mesmo da ridícula motivação racista do termo “pó-de-arroz” para os tricolores, dentre outras! Nada disso tem qualquer motivação formal, documental ou seja lá qual for. O enfoque era absolutamente passional, exceto pelo jacobinismo anti-lusitano que é vivo no automatismo até hoje (vide sua falaciosa conclusão). Essa sua visão é a visão do atrevido e passional do detrator!

    Saiba o sr. que por conta da “camisa negra”, o termo “urubu” era utilizado pelos detratores torcedores dos outros clubes para designar o Vasco, conforme nossos arquivos em audio de dois vascaínos importantes que não se conheciam, mas foram sócios do club nos anos 30. Permanecesse camisa negra, talvez hoje fosse o titular dessa pecha até com orgulho, mas hoje o Vasco é bacalhau, o Vasco é portuga, o Vasco é o congraçamento entre brasileiros e portugueses!

    A verdade histórica, portanto: foi o Vasco que “rebentou” com a elite intolerante e preconceituosa conquistando o campeonato de 1923 com negros, pobres e humildes, SIM! Nunca se esqueça disso!

    O resto é “bulling” desse interessante e irônico blog. Ficamos no aguardo de sua próxima tergiversação! 🙂

    PS: MAIS, VASCO, MAIS… VASCAÍNO, ORGULHE-SE!

    • Vamos lá, Jucabala:

      1. Nunca disse que as camisas negras do Vasco fossem posteriores à fundação, em 1898.
      2. Idem, por óbvio, quando se considera o item 1.
      3. Como os “camisas negras” poderiam ter sido fundados em 1923 se, um ano antes, eles fizeram a histórica “Marcha Sobre Roma”, liderados por Mussolini?
      4. Como a marcha teve ampla repercussão em todo o mundo e os fascistas usam camisas negras, em todo o mundo, inclusive no Brasil, a imprensa chamou-os dessa maneira.

      Agora, você me chamou a atenção para algo muito interessante: o Vasco deixou de usar as camisas negras em 1943. Terá sido coincidência que, pouco antes, o Brasil tenha entrado na Segunda Guerra ao lado dos Aliados e, portanto, contra os fascistas da Itália? Não se pode ignorar que, até aquele momento, o governo Vargas tinha demonstrado notórias simpatias pelo fascio, incluindo aí o próprio ditador (o capítulo de abertura do livro 1 da monumental biografia de Vargas, escrita pelo colega Lira Neto, faz uma descrição brilhante de uma visita de aviadores italianos ao Rio, ocorrida nos anos 30, prestigiadíssima por Vargas). Obrigado por ter me dado este toque.

      É fato que o Vasco foi um grande impulsionador para o fim da discriminação contra os negros no futebol – que, de resto, só terminou mesmo com a conquista da Copa, em 58 -, embora não tenha sido o primeiro clube a recebê-los – como se sabe, essa honra é do Bangu, que tinha jogadores negros já em 1904, sem contar claro as dezenas de clubes de subúrbio, alguns disputantes dos campeonatos cariocas. Nunca discuti essa importância do Vasco, apenas mostro um lado que o marketing do Vasco não aponta – o de que essa abertura aos negros não foi realizada por um suposto antirracismo dos portugueses – de resto responsáveis por terem trazidos negros escravos para o Brasil -, mas pela necessidade prática de não passar vexame no campeonato de estria na Primeira Divisão, em especial diante do já então arquirrival Flamengo, o que fatalmente ocorreria se a equipe fosse formada apenas por portugueses ou seus descendentes brancos como até ali.

      Por falar no marketing vascaíno, nos anos 70, quando comecei a acompanhar futebol, essa questão do combate ao racismo só era lembrada por torcedores do Vasco de esquerda – como Sérgio Cabral Pai, Aldir Blanc e Martinho da Vila. O clube, como instituição, só passou a incorporá-lo em fins dos anos 80, início dos 90, exatamente quando o Movimento Negro ganhou força no país. Mais um ponto interessante para se ponderar.

      Admito que é duro ver um “mito fundador” ser questionado assim, mas o que se há de fazer? Continuo achando que não há motivos para os vascaínos deixarem de orgulharem-se das glórias do seu clube.

      • Não torne asneira o conhecido fim do tráfico de escravos, levado a cabo pelo próprio Império Português em 1836. Daqui a pouco você mesmo vai dizer que é descendente de degradado de Portugal e coisa e tal, não vai dar certo, seu jacobinismo é latente! Além do mais, quem continuou responsável por esse mesmo tráfico no Brasil após 1822? É ridícula essa parte de sua tergiversação.

        A marcha sobre Roma se deu em outubro de 1922. 3 meses depois a milícia estava criada formalmente. O terror “clandestino” já ocorria desde 1921.

        Se que saber o motivo do fim da camisa negra no Vasco, leia um pouco mais: http://www.semprevasco.com/conteudo/conteudo.php?id=1442

        abs.

        PS: O sr. tem problemas sérios em lidar com inferências, as suas estão sempre contaminadas. rs…

        • 1. Não tergiversei, apenas fiz uma pequena observação de passagem sobre a origem do tráfico negreiro no nosso país. Não era o principal da argumentação. Tomar esse ponto e torná-lo o principal da contraargumentação, tentando passar por cima do resto, é uma manobra de retórica – boa, por sinal, quando o adversário não a conhece, obviamente.
          2. Ou seja, os “camisas negras” já operavam antes do que você disse (aliás, já os faziam desde 1919, como escrevi).
          3. “Sempre Vasco”?: Hmmm…Interessante conceito de inferência descontaminada? 🙂

  14. Pois é… retórica.. blá, blá, blá…. mesmo os africanos vendiam sua própria gente etc. blá, blá., blá. Nessa eu estou com o Morgan Freeman, e a luta companheiro, é mesmo pela cidadania plena, já diziam os plebeus na Roma Antiga! Daí porquê o Vasco quebrou um paradigma!

    Não. O partido é de 1919. A tropa facista começou na informalidade em 1921. Tenta os sites e a fontes italianas para me demover disso. Sou flexível, sou amante da verdade. pesquisa sobre Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale.

    Preserva a história quem tem interesse, não é mesmo? O SempreVasco se propõe a ser um centro digital de memória vascaína, e o viés é esse mesmo, propalar a história, seja de glórias ou não, mas sempre respeitando a verdade. Por outro lado, não será neste blog de jornalismo irônico que encontraremos qualquer viés neutro! Não é verdade? 😉

    No meio dessa discussão, ainda não achei qualquer documento ou fonte histórica que demonstrassem as suas ilações. E você também não apresentou nenhuma, já percebeu? Só ficou no disse me disse. rs…

    Para enfrentar, insistir, bater, e vencer, somente o C.R. Vasco da Gama. Os demais perdiam. Os clubes elitistas adoravam. Mas mesmo eles cometiam suas traquinagens entre si. Que o diga o grande goleiro e ex-presidente do Fluminense, Marcos de Mendonça, que saiu do América após este ter dado um golpe no seu antigo clube, o velho e respeitado Haddock Lobo. Coisa da elite. Eles que são brancos que se entendam. Acabou indo pro elitista Fluminense.

    Ahh… acabei me lembrando agora… por favor, esquece esse negócio de regatas no início do séc. XX na Lagoa Rodrigues de Freitas… eram todas na Enseada de Botafogo. Quem remava na lagoa era a sua liga interna (Piraquê, etc. e tal). O demais clubes da federação principal só foram para lá a partir dos anos 30.

    • As fontes históricas estão na Biblioteca Nacional e no Centro Memória do Esporte da Cândido Mendes, onde trabalhei na minha juventude (bem, espero que ainda estejam lá onde as deixei, lá por meados dos anos 80). Deviam estar no Vasco também, mas, pelo que você me conta, vejo que não acolheram a sugestão que fiz há 30 anos para que cuidassem bem da documentação, que, na época, estava jogada por lá, sem cuidado. Pena.

      Quanto ao remo na Rodrigo de Freitas, que não sei como veio parar nessa conversa, você não me conta novidade – nas várias edições da Sport Illustrado que consultei, com imenso prazer naquele tempo saudoso da minha vida, estava escrito que as competições eram realizadas na Enseada de Botafogo, que era bem maior do que hoje, chegando à altura da São Clemente, segundo me contou, numa deliciosa entrevista, “seu” Ulisses Malagutti, velocista do Flamengo, que morava na região e treinava apostando corrida com os bondes. 🙂

      Quanto aos jornalistas (e mais ainda quanto aos veículos de comunicação), também tendo a ser bastante crítico quanto ao seu desempenho.

  15. Ué… tá no seu texto principal “…que vinha do tempos das regatas na Lagoa Rodrigo de Freitas, as quais, no início do século passado, arrastavam multidões para aqueles arrabaldes”…

    Eu acho que naquele tempo o mais da essa multidão ficava pela enseada mesmo, e somente alguns gatos pingados pegava o caminho da praia da Piaçava para tentar chegar a barco até o Campo do Leblon ou em Villa Ipanema e assim não ter que cruzar pelo areal de Copacabana… devia demorar mais. 8-/

    • OOOPS!!!! Já fui lá e corrigi. Com o devido crédito, claro. 🙂

  16. Tá valendo… mas só para ficar consignado um outro equívoco, também não era SEGUNDONA… o título de campeão de 1922 foi da Primeira Divisão – Série B… e o de 1923 foi de campeão da Primeira Divisão Especial. rs…

    A bem da verdade, a única parte coerente do seu artigo foi descortinar o “falso amadorismo” praticado pelos clubes de elite, até porque o mesmo Ramon Platero tentou tempos antes impor o mesmo regime de preparação física ao “preguiçoso “Fluminense, de quem diretor técnico antes de ir para o Vasco da Gama.

    Esse “amadorismo marrom” a que você se refere já era parte da cultura elistista, todos formados na arte da traquinagem… uma delas foi expulsar os clubes ingleses da liga (os estrangeiros foram sendo exlcuídos), a outra foi os Guinle deixar o Flamengo sem pai nem mãe quando o despejou do estádio da rua Payssandu (beirando a extinção da seção da futebol)… por que ninguém fala da rídicula réplica da AMEA que alegava desejar ver o Vasco formado por completo por genta da colônia portuguesa. Era o incontido desejo de roubar doce de criança!

    Ademais, o mito vai permanecer, a transcedência do Vasco, o já maior clube esportivo à época, foi o de ficar ao lado do seus atletas, os únicos a não usar brilhantina nos cabelos! ESSE É O MITO! E objetivamente esse é um marco de luta contra o preconceito!

    Pena que não dá para baixar imagens aqui… iria mostrar uma foto dos seus (inexistentes) facistas vascaínos, e você iria adorar também a cara de pura frustração da elite “branquela” dos flamengos, após tomar a porrada homérica de 3 a 0 no primeiro confronto de 1923, em pleno estádio da rua Paysandu. A amplificação do ódio jacobinista da falsa nação a teve importante impulso a partir dessa partida.

    • Bom, realmente, ver inominável frustrado é dos maiores prazeres – se não o maior – de minha vida. A capa d’O Dia com um deles, às lágrimas, após perder a final da Copa do Brasil para o Santo André, em pleno Maracanã (e podendo empatar!), e a cara do Léo Moura, durante uma entrevista ao vivo na Fox, quando saiu o gol do Emelec que desclassificou-os da Libertadores de 2010, são das lembranças mais alegres que levarei para o túmulo. Só não digo que torceria pelo time do Inferno contra eles porque eles SÃO o clube do Inferno.

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