Desconversando é que a gente se entende

Pago meu supermercado fazendo assessoria de comunicação. Por isso, sei muito bem quando alguém está desconversando para evitar discutir um ponto nevrálgico – faço o mesmo sempre que é necessário e sou bom nisso. Por ter essa experiência é que posso afirmar com certeza: esse “imbroglio” Muricy é uma tremenda desconversa.

O que está em jogo não é se o ex-treinador recebeu ou não proposta do Santos, se o problema foi o Soltando Barros querer escalar o time ou a falta de um CT. O buraco é muito mais embaixo. O que está se tentando esconder é que, hoje, o departamento de futebol do Fluminense não passa de uma divisão do departamento de marketing da Unimed (e com um gerente que não é levado a sério pela direção da empresa).

Admitir isso seria não só a humilhação suprema para o clube, mas levaria a discussão sobre os rumos do futebol brasileiro em geral. Uma debate que levantaria pontos sobre a gestão dos clubes, a relação de empresários e treinadores, mecenas e jogadores, televisão e dirigentes, jornalistas e todos eles, e todas as permutações entre esses personagens. Uma conversa que não interessa a ninguém.

Assim, culpemos o profissional, chamemo-lo de mau-caráter e sigamos todos alegremente em frente.

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