O mínimo que Dona Míriam esqueceu

Conselheira faz uma observação no que se refere a (mais um) comportamento estranho de Dona Míriam:

Ivson, tudo bem?
Pode ter me escapado, porque, apesar da obrigação profissional de passar os olhos pela coluna de Dona Miriam, não é sempre que tenho saco pra isso. Mas você reparou em algum pito dela na irresponsabilidade fiscal dos tucanos ao proporem um mínimo de R$ 600? Na TV, só a vi falando das centrais sindicais vaiando o Vicentinho e que o corte no Orçamento e o valor do mínimo tinham a ver com a gastança do Lula.

E se é para lembrar do que o PT fez quando era oposição, há que se ressaltar que não havia política de aumento real para o salário mínimo, como agora, e que pelo menos o PT tinha representatividade para falar em nome dos trabalhadores. O PSDB defendendo mínimo de R$ 600 é tão convincente quanto o hipotireodismo do Ronaldo.

Realmente não vi nada na Dona Míriam a respeito. No entanto, eu raramente leio Dona Míriam até o fim – em geral, só vou até o terceiro parágrafo, que é, mais ou menos, o limite para ela escrever alguma idiotice sem tamanho que me faz largar o texto. Assim, pode realmente ter me passado. Alguém aí viu algo a respeito?

3 comentários sobre “O mínimo que Dona Míriam esqueceu

  1. Querido Ivson, desse pecado Miriam não vai pro inferno. Vi num blog:

    “quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011Sobre o salário mínimo por Miriam Leitão
    A comentarias da Rede Globo de Televisão Miriam Leitão é obviamente anti-Lula/Dilma.

    Hoje fez um comentário no Bom Dia Brasil que me chamou a atenção…

    “Essa proposta do PSDB de salário mínimo de R$ 600,00 é claramente demagógica para colocar o governo em dificuldade”.

    E é porque ainda tem gente que diz ser o PT o irresponsável e o PSDB exemplo de correção e austeridade.
    Postado por Lahyre Rosado Neto às 06:53 ”

    Acho que o Bom Dia atinge muito mais gente que a coluna dela nO Globo…

    E, durante a campanha, Miriam já criticava a proposta de Serra para o mínimo. Se tivesse lido mais dois parágrafos além dos três habituais, teria chegado lá:
    “Brilho que esconde
    Míriam Leitão, O Globo, 09/10/10
    As previsões econômicas de crescimento estão aumentando. Já se fala em 8%. Esse número exuberante esconde vários desajustes: as contas públicas estão desequilibradas, o déficit em conta corrente de US$ 50 bilhões pode chegar a US$ 100 bilhões no ano que vem. Só no setor automobilístico, o Brasil vai ter US$ 5,7 bilhões de déficit comercial. Os preços da cesta básica estão subindo.

    O FMI alertou para o risco de que no Brasil esteja acontecendo um superaquecimento e há temores de que o mercado de crédito esteja começando a viver uma bolha. Quando se compara o nível de crédito/PIB do Brasil com o de outros países, parece não haver risco de bolha de crédito. O problema vem do ritmo acelerado demais de crescimento do endividamento das famílias. Os juros no Brasil são tão mais altos que em outros países, que é arriscado fazer apenas uma comparação estatística da relação do crédito com o PIB.

    A maior fonte de preocupação é o gasto excessivo e nenhum horizonte de que isso será enfrentado. A candidata do governo, Dilma Rousseff, parece sequer ter entendido certos rudimentos da teoria econômica. Ela repete que o Brasil não precisa de ajuste fiscal e que não há relação entre gasto público e câmbio.

    O Brasil é um país cujo governo tem déficit. Isso significa que ele gasta mais do que arrecada: não só não contribui com a formação da poupança, como despoupa. Para crescer, o Brasil precisará de uma taxa de investimento de 22%, pelo menos. Hoje, a taxa de poupança brasileira é de 18%. Isso faz com que o país tenha que absorver poupança externa. Essa entrada de dólares derruba a cotação da moeda americana e valoriza a moeda brasileira. Com um déficit nominal persistente, uma dívida interna de R$ 2 trilhões e nenhum sinal de ajuste fiscal no horizonte, os juros têm que permanecer altos. O que eleva ainda mais o custo da dívida e atrai ainda mais dólares, já que no mundo os juros estão próximos de zero. Quando o governo corta gastos, ajuda a reduzir a demanda, o que reduz pressão sobre a inflação. Em suma: com redução do gasto público haverá menos inflação, os juros podem cair mais rapidamente, sem o risco inflacionário, haverá menos entrada de dólares pelo diferencial de juros, e o país precisará de menos poupança externa para crescer.

    O candidato de oposição José Serra não ajuda muito quando dá sinais de aumento de gastos com despesas permanentes, quando promete elevação de salário mínimo para R$ 600, aumento de 10% na aposentadoria e até, o que anda sendo cogitado na campanha, o fim do fator previdenciário. Só um número para se ter ideia: o fator inventado para contornar a derrota da reforma previdenciária no governo Fernando Henrique ajudou o país a poupar R$ 40 bilhões.”

    E, cá pra nós, muita gente deve ter acusado a Miriam de urubu por causa das críticas à falta de interesse de Dilma no ajuste fiscal _ e Dilma acabou dando razão à comentarista ao começar o governo fazendo questãod e anunciar… o ajuste fiscal.

    • A crítica durante a campanha eu tinha visto. Agora, se eu dificilmente leio a coluna, Sérgio, imagina se a vejo de madrugada no Bom Dia. 🙂
      Não entendi a última frase. Ela disse que Dilma não faria o ajuste e a mulher fez, mas isso a desmentiria e não confirmaria, não é isso?

  2. Sei não, eu tava lá de madrugada vendo o Bom Dia e vi exatamente o comentário dela, falando das vaias etc etc e não ouvi esse comentário sobre a demagogia do PSDB. O que ela disse, pelo menos, nesse dia, que foi o dia seguinte à votação na Câmara, foi que a proposta do governo de baixar o novo mínimo por decreto era para evitar que a oposição tivesse palanque.

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