Para não dizer que não falei de espinhos

A coleguinha Isabel Pacheco mandou essa carta para O Globo sobre o caderno a respeito da Era Nove-Dedos:

“Chocante a edição do Globo de hoje sobre o Governo Lula. O caderno especial se refere ao presidente como “mito” e “fenômeno” e, em 24 páginas, destaca o que vê como resultados negativos. O que é positivo, invariavelmente, vem acompanhado de um “mas”, “porém”, “contudo”, “apesar”, e por aí vai.
Não há governo sem erros. E o governo Lula também errou. Mas os 87% de aprovação têm que ser respeitados. Por que O Globo não faz como o Estadão e assume publicamente que é e continuará sendo um jornal de oposição ao governo? Creio que a população, dessa forma, passará a entender melhor o que lê neste jornal.”

A carta da Isabel – aliás, não publicada – explica perfeitamente porque não comentei o caderno do Globo sobre o N-D. A publicação foi simplesmente um um imenso “mistura-e-manda” requentado de tudo o que o Globo falou do governo N-D durante oito anos, dia após dia. Não teve qualquer novidade ou análise mais abrangente – apenas o mesmo repisar da tese segundo a qual o N-D é um demagogo de bosta, que, certamente por artes demoníacas, engabela, há quase uma década, 90% dos brasileiros, tidos – implícita, mas obviamente – como mais bostas que o acima citado.

Assim, comentar o quê?

De qualquer maneira, o caderno entra na disputa do King of the Kings-2010.