Não tem Dia D

Os meios de comunicação estão tratando a ofensiva do Estado contra o crime no Rio de Janeiro como tratam uma guerra entre países, em que um exército vence e o outro capitula, ou seja, que haverá uma vitória contra o crime.

Infelizmente, não vai ser assim.

O que o Estado pretende com essa ofensiva – e outras que virão, ao longo dos próximos anos – é tornar o crime no Rio semelhante ao de outras grandes cidades do mundo. Pode haver (e haverá) gangues – como em Los Angeles, Nova Iorque, Paris, etc -, o que precisa acabar são duas anomalias que existem no Rio (e havia em cidades da Colômbia também):

1. Vantagem estratégica dos criminosos de dominarem os pontos altos da cidade;
2. Armamento pesado, de guerra, em profusão nas mãos dos bandidos.

O primeiro problema leva tempo, mas é relativamente fácil de resolver, enquanto o segundo, além do tempo, precisa também do envolvimento do governo federal, embora a perda da vantagem estratégica vá obrigar os traficantes a desenvolver métodos de negócios mais custosos, o que diminuirá a lucratividade e, consequentemente, a capacidade financeira de adquirir armas.

Enfim, indo até o fim na estratégia de ocupar os morros de maneira cidadã, com as UPPs, a segurança do Rio tende a melhorar e muito, mas o crime, principalmente o tráfico de drogas e os assaltos, vão continuar. apesar de numa intensidade mais baixa.

Um comentário sobre “Não tem Dia D

  1. O que leva ao crime – que não é só uma “ruindade” pessoal – também vai permanecer. Mas reconhecer que isso é conseqüência de uma sociedade doente é muito mais difícil que invadir o Morro do Alemão.

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