Espionagem à brasileira

Bom, já que cada um fabula como quer esse caso da quebra de sigilo da filha do Serra (o que será que descobriram sobre essa moça, meu Deus?), eu também posso escrever a minha versão, certo? Por tanto, lá vai.

Tudo começou quando o Serra chamou o Marcelo Itagiba, misto de deputado e polícia federal, para fazer um dossiê sobre o Aécio Neves, na época rival do paulista pela indicação à candidatura presidencial em 2010 pelo PSDB. A ideia, claro, era detonar o mineiro se ele batesse pé e insistisse em brigar por uma prévia entre os tucanos, algo que, obviamente, Serra não queria porque tomaria uma lavada. Como o Itagiba não é da CIA, do MI-5 inglês ou do SVR russo, todos acabaram sabendo o que ele estava fazendo, inclusive Aécio.

Para contra-atacar, o ex-governador mineiro entrou em contato com o Estado de Minas e pediu que investigassem Serra e todo mundo a sua volta para montar ele também um dossiê. Amaury Ribeiro Jr., repórter investigativo do tipo citado dois posts abaixo, foi encarregado da missão e se houve bem. Entrementes (como se dizia nas HQs de antigamente), porém, Serra já tinha barrado politicamente Aécio, não precisando apelar para a artilharia mais pesada. O Dossiê Itagiba foi arquivado, assim como o Dossiê Amaury.

Teria morrido por aí  se, dentre aquele “todos” do segundo parágrafo, não estivessem petistas próximos ao tucanos mineiros (Minas é um estado em que ninguém é inimigo de ninguém, pelo menos não por mais de uma eleição). Sabendo que o Amaury tinha levantado um bom material contra Serra, o PT de Minas entrou em contato, negociou e obteve o que queria. Novamente, como ninguém é um “secreta” decente nessa história (o que o George Smiley, o superespião, britânico e corno, criado por John LeCarré diria desse pessoal? Talvez até limpasse os óculos com a ponta da gravata, for God’s sake…), os tucanos souberam da negociação e, antes que os petistas lançassem os petardos, mandaram bala na denúncia de quebra de sigilo, jogando a culpa nos adversários.

E aí, gostou? Ok, talvez não seja lá essas coisas, mas é bem melhor do que a ficção que vem sendo publicada pela grande mídia, né?

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