Reorganizando a esquerda

A direita está usando a eleição de 2010 para reconstruir-se. E quanto à esquerda? Bom, essa está com um problema, pois precisa dar um freio de arrumação, mas não pode utilizar o processo eleitoral para isso porque precisa vencê-lo a fim de manter as conquistas obtidas nos oito anos da Era Nove-Dedos, que subirão no telhado no dia 2 de janeiro próximo, em caso de vitória de José Serra.

Ainda assim, e mesmo em caso de eventual vitória, a esquerda precisa reoganizar-se. Desde metade dos anos 90, e mais especialmente desde 2002, ela tem vivido do gênio político e do carisma de N-D. Bom pra ele, mas nem tanto para o campo esquerdista, que se acomodou e tem deixado de lado a discussão política do país. Não só as questões explicitadas na campanha, como a ambiental ou a do aborto, mas outras, menos óbvias, como o próximo passo a ser dado pela classe média emergente, que daqui a pouco não vai contentar-se em comprar TVs de LED, mas exigirá ensino público de alta qualidade para seus filhos, serviços decentes de saúde pública para todos, estradas e vias urbanas bem conservadas, transparência de gastos publicos, algum tipo do controle da mídia etc. Pauta extensa que não pode ser tratada à Zé Dirceu, com práticas e modelos velhos de 50 anos. Um desafio e tanto, que, para ser franco, tenho sérias dúvidas d que a esquerda brasileira possua capacidade intelectual e coragem moral de encarar.