Operação Tasca-Balão

Ninguém, em sã consciência, pode acreditar que José Serra vá privatizar estatais (pelo menos as grandes). Como diria o Rodney Silva, veja bem. O candidato tucano saiu do pleito de 3 de outubro em flagrante minoria tanto na Câmara quanto no Senado. Assim, para governar com um mínimo de tranquilidade, Serra terá que cooptar muita gente da hoje base governista. Esta tem dois grandes partidos, PT e PMDB. Adivinha em qual ele vai investir? E adivinha do que esse partido mais gosta? Vou dar uma dica: cargos. E qual o maior latifúndio de cargos do governo federal? Exatamente, empresas estatais.

Bom, então por que Serra saiu-se com essa de privatização? Porque seu pessoal político-midiático é competente. Faz parte do manual do bom assessor de imprensa: se vão usar algo ruim contra seu cliente, o melhor é você revelar logo. Assim, pelo menos, a explicação vem antes da acusação e há mais chance do cliente ser perdoado (por ter sido ‘franco”) e/ou mudar logo de assunto. Dessa maneira, ao falarem de privatização e dizer que a defendem mesmo e daí?, os tucanos tentam evitar serem taxados de entreguistas do patrimônio público e coisa tal, como em 2006, o que levou àquela foto rídcula do Alckmin cheio de adesivos de estatais, que nem piloto de Fórmula 1. Tentam tascar o balão antes que ele caia na mão da galera da outra rua.

Outro ponto positivo não negligenciável dessa estratégia é que, defendendo a privatização, os tucanos voltarão a ver sorrisos solícitos daqueles senhores normalmente sisudos, de ternos bem cortados, que andaram ressabiados de pingar alguns caraminguás no chapéu no primeiro turno. Com a perspectiva de se darem bem num eventual governo Serra, eles tenderão a ser menos hesitantes ao abrirem suas recheadas carteiras privadas e corporativas para o pessoal que cobra o dízimo.