Jogando para o empate

Não assisti ao debate de ontem. Na verdade, desde 1994 para cá, só vi um – o segundo N-D x Serra, em 2002, aquele em que eles ficavam vagando por um tablado, como apresentadores dos programas esportivos moderninhos que vieram depois. O motivo para o alheamento é que esse último debate dificilmente apresenta algo de interessante.

Isso acontece porque, num debate com mais de dois participantes, a tendência é que haja um amarelar geral, pois ninguém tem muito a ganhar – quem está na frente, não quer briga; quem está atrás, sabe que, como diz o Duda Mendonça, “quem bate, não ganha”. Além disso, há a própria dinâmica do debate, que faz com que aquele que comece a sobressair, passe a levar pancada dos outros, arriscando-se a perder pontos de bobeira.

Mesmo no debate mano-a-mano a tendência é de empate. Obviamente, a chance de um golear o outro é maior, mas não tão grande assim. Afinal, o debate em TV está completando exatos 50 anos, contados desde aquele mitológico Kennedy x Nixon, em 1960. Nestas cinco décadas, desenvolveu-se uma amplíssima literatura que ensina como se comportar nesse tipo de embate. Aliás, em qualquer tipo de debate, uma atividade que, nos EUA, é literalmente aprendida na escola – há até campeonatos, com premiação e tudo. Portanto, se um dos debatedores não for um débil mental e o seu oponente um ser carismático, a técnica tende a igualá-los e o debate, na verdade, vira uma luta de boxe com palavras, no qual o espectador fica torcendo para seu candidato nocautear o outro, o que, como já disse, raramente acontece.

E se é para torcer, me desculpem, prefiro fazê-lo para o maior clube do Universo, aquele que, no momento, lidera o Brasileirão com três pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

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