A novidade da eleição

Zuenir Ventura escreveu ontem, que qualquer que seja o resultado da eleição, a grande novidade foi Marina Silva. É compreensível que Véio Zuza queira puxar a brasa para a sardinha de sua candidata, mas não concordo com a avaliação, por dois motivos: Marina é política profissional há mais de 10 anos, tendo sido senadora e ministra de estado, e a causa ambiental é velha de 40 anos. Nada, pois, novidade.

Se algo pode ser apontado, em termos de eleição brasileira,como algo novo foi a presença da internet. Não que seja surpresa. Já desde 2006, apontava-se que a presença a Grande Rede seria importante nesse pleito. O diferente, penso, é a maneira como isso ocorreu. De maneira diversa do que se pensava, a internet não foi importante para arrecadação de fundos – como, reza a lenda, ocorreu com Obama – e nem se transformou numa nova plataforma de publicidade eleitoral.

A realidade é que a internet.br tornou-se o local de desconstrução da cobertura política da mídia tradicional, de onde os contrapontos e questionamentos, vindos de todos os pontos do espectro político, uniram-se e abateram-se sobre as redações. O fato-símbolo, claro, foi o #DilmaFactsbyFolha, que chegou à liderança mundial do twitter ridicularizando a cobertura do jornal da Alameda Barão de Limeira.

A Folha, como sempre ocorre quando é pega em flagrante, fingiu ignorar o problema, mas o caso, somado a muitos outros, doeu nos grandes veículos mais do que eles pretendem admitir. Demosntração dessa dor é o editorial do Globo de hoje, que fala sobre o discurso de Zé Dirceu aos petroleiros, no qual ele alude à importância para o PT da eleição de Dilma. Devia – e é – óbvio que um partido ache essencial que sua candidata vença, pois só assim poderá pôr seu projeto político em execução. O jornal dos Marinho, porém, afirma que esse projeto político inclui “controlar a imprensa independente e profissional”. A palavra-chave aí é “profissional”, um ataque aos blogueiros que não estejam na folha de pagamentos dos veículos tradicionais, jogados na vala dos amadores, como se isso fosse a palavra fosse um anátema.

A ironia é que esses mesmos veículos lutaram durante décadas para derrubar o símbolo do profissional jornalista, o diploma, o que conseguirama no passado. Como a roda da História anda muito acelerada nos últimos tempos, um ano depois a grande mídia se vê diante do que não esperava – a democracia direta no seu reino. Claro que ela batalhará contra esse processo, mas suas chances de vitória são quase tão remotas quanto as do candidato que apóiam no pleito presidencial de 2010.