Dor-de-cotovelo política

Tenho 50 anos e acompanho política desde os 13 (com guerrilheiro na família, a precocidade não é de espantar) e esta é, pelo menos, a terceira vez que ouço falarem sobre a “mexicanização” do Brasil. Para quem não sabe, o neologismo é para lembrar o PRI, partido que governou o México por 70 anos.
A primeira vez que ouvi esse papo foi quando comecei a me ligar em política, em 73, na época da anticandidatura da chapa Ulysses Guimarães-Barbosa Lima Sobrinho à presidência da República contra Ernesto Geisel. Dizia-se na época que a Arena, partido da ditadura, avô do DEMo, tornar-se-ia (foi nessa época também que aprendi a conjugar verbos com desenvoltura com o querido professor Serafim, no Pedro II) o PRI brasileiro. A bobagem durou até o espancamento eleitoral do “maior partido do Ocidente” (by Francelino Pereira, presidente do partido governista) nas eleições de 74.

A onda da “mexicanização” surgiu na época do Plano Cruzado, quando o PMDB elegeu 22 dos 23 governadores, sendo que a única “derrota” aconteceu em Sergipe, onde perdeu para um aliado pefelê. A bobagem teve pernas ainda mais curtas do que na primeira vez  – o papo acabou dias depois, com a implosão do Cruzado.

A besteira dessa análise é que o PRI era o partido único do México desde praticamente o início. Nunca teve que dividir poder com outro partido guloso, como PT e PMDB terão que dividir (nem vou contar o resto, como PSB, PDT, PCdoB, etc) e nem uma oposição com força no Senado e a mídia toda de seu lado.

O problema básico é que os tucanos-demos tiveram os mesmos oito anos de N-D para levar o Brasil de volta aos Anos JK em termos de força econômica e autoestima e não o fizeram. “Mexicanização” é dor-de-cotevelo política, que passa assim que a oposição ganha eleição, algo que, no Brasil, a história mostra que acontece logo, logo.

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