Esse entendeu a regra do jogo

Parte final da entrevista publicada na Folha no dia 24  com Alexandre Hohagen, brasileiro que comanda o Google na América Latina (Leia a matéria completa no clipping do FNDC)


“(…)FOLHA – O Google vai ceder e pagar pelo conteúdo das empresas de Rupert Murdoch [magnata dono de um grupo de mídia que controla o “Wall Street Journal”]?

HOHAGEN – Essa é uma discussão que põe em xeque a distribuição de conteúdo dos jornais impressos. O Google não quer se tornar uma empresa de criação de conteúdo e competir com eles. O que fazemos é simplesmente colocar nossos usuários em contato com o conteúdo dessas empresas no canal Google News. Seríamos como jornaleiros exibindo manchetes na banca. As empresas têm controle total da nossa indexação e da exposição de seus conteúdos em nosso site. Podem até dizer que não querem aparecer nesse canal, como alguns fazem [e como Murdoch quer fazer com seus jornais, como forma de pressionar o Google pelo pagamento]. Mas acho um desperdício, porque geramos 1 bilhão de cliques por mês para esses sites, que poderiam canalizar o tráfego para melhorar sua audiência e atrair anunciantes. Muitos que nos deixaram voltaram atrás porque entenderam que podemos ajudá-los como distribuidor de conteúdo.

FOLHA – Então por que a discussão?

HOHAGEN – Os produtores de conteúdo estão percebendo que a notícia virou commodity. O terremoto no Haiti é uma commodity, porque o internauta encontrará essa notícia em qualquer site jornalístico. Uma entrevista com o general brasileiro no Haiti ou uma análise do episódio passam a ser conteúdos exclusivos. A questão é: como cobrá-los? A internet já tem modelos de micropagamentos que poderiam ser usados para monetizá-los. O que não dá mais é proteger a notícia que todo mundo já tem. É esse modelo que o debate entre Murdoch e o Google deixa exposto. E o Google levará essa discussão até o final, se for o caso.”

2 comentários sobre “Esse entendeu a regra do jogo

  1. Google está peitando a China. Imagina se não irá peitar o baronato midiático…

  2. Um ponto de vista interessante da questão. Mas não creio que o quebra-cabeças seja tão fácil de se montar…

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