2010: mídia tenta salvar o discurso neoliberal

O Estadão traz hoje matéria sobre a intervenção do Estado visando alavancar inevstimentos em setorres de infraestrutura; ontem, a coluna Panorama Político, do Globo, revelou que o demo José Agripino Maia iria tomar satisfações com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, porque este e o Aécio disseram que não eram contra a estratégia de fortalecer a Petrobras no pré-sal.

Os dois movimentos mostram que a oposição de projeto neoliberal está reagindo à jogada do Nove-Dedos de fazer da eleição de 2010 uma espécie de plebiscito entre o modelo do Consenso de Washington, e sua ideologia do Estado Mínimo, e a necessidade da presença do Estado na economia como indutor do desenvolvimento. Os neoliberais procuram impedir uma debandada geral em suas hostes e evitar nessa discussão política a derrota que sofreram naquela que dizia respeito à essencialidade das políticas estatais de transferência de renda – como se sabe, os próprios tucanos não só não discutem mais o assunto, como até apoiam o carro-chefe da política, o Bolsa Família.

Como atores centrais nessa batalha, os veículos de comunicação deverão usar as velhas táticas da reveberação (a matéria de hoje do Estadão, por exemplo, deverá ser republicada com destaque por dezenas de jornais e blogs), da interdição do debate (os que são a favor do outro lado serão ou ignorados, ou terão pouco espaço e suas ideias serão distorcidas na edição, e erros das empresas das empresas privadas serão abafados) e do terrorismo (matérias e mais matérias sobre as supostos e reais erros de administração do Estado serão elavados à quinta potência).

O problema com essa luta é que, além dos políticos tucanos, os neoliberais terão que enquadrar outros aliados racalcitrantes: os empresários. Você sabe como é – empresário gosta de ganhar o máximo de dinheiro com o mínimo de risco possível. Ora, é exatamente isso que o governo do N-D oferece a eles, com financiamentos públicos a juros baixos e a perder de vista e a garantia suplementar de contratos de longo prazo com as grandes estatais. E ainda outra: como disse o próprio N-D, o Estado não quer ser concorrente das empresas privadas, apenas “indutor do desenvolvimento”. Juntando ainda o apoio à expansão no exterior, está pronto um prato que dificilmente será recusado pelos empresários brasileiros, como, de resto, não foi recusado por empresários de nenhum país hoje industrializado ou pós-industrializado quando aqueles Estados fizeram o mesmo am algum momento de suas histórias.

Outro ponto ruim para os neoliberais é que N-D e seu povo têm algo positivo e recente para mostrar que suas ideias são mais condizentes com a realidade – a saída da crise econômica, graças à intervenção do governo, conjugada com a força do mercado interno, fruto daquela política de redistribuição de renda citada lá em cima. E o que tem o outro lado para mostrar? Agora, nem o propalado sucesso da privatização da telefonia, seriamente abalado pelos “caladões” sofridos em São Paulo e as hesitações da Anatel.

Assim, a missão do Estadão, do Globo, da Folha e dos outros meios de comunicação será muito ingrata, até porque o tempo é curto – 2010 está aí mesmo.