Gerador de notas 2.0

Um aviso aos estudiosos que criaram o Gerador de Notas (post abaixo): está na hora de lançar a versão 2.0, pelo menos para a coluna do Ancelmo Góis. Apesar de a versão 1.0 ainda ser operacional (tanto que seu uso pode ser visto na edição de hoje), ela precisa ser melhorada com um módulo de “maledicência jornalística com objetivos políticos”.

Detectei essa necessidade há dias, mais precisamente em 5 de abril, quando numa nota – “Serra é Mercadante” – o colunista diz que José Serra tinha virado cabo eleitoral de Aloísio Mercadante e João Paulo Cunha por suas denúncias contra a Adminsitração Marta Suplicy. Nada demais a princípio, exceto que, na mesma semana, a IstoÉ apresentava matéria de capa sobre as denúncias e, na página 30, afirma também que o dois cardeais petistas se beneficiam das “dificuldades de Marta”. Como não creio em coincidência, fiquei com a pulga atrás da orelha.

Hoje, porém, vi que o Gerador de Notas – de cuja criação só soube depois do dia 5 – precisa incorporar o módulo que mencionei acima. A nota “Paris é uma festa” só se explica como maledicência jornalística com fins políticos:

Paris é uma festa

Com a temperatura amena, na faixa dos 12 graus, Paris recebe as simpáticas visitas dos ministros Furlan e Paulo Bernardo, além de Guido Mantega, presidente do BNDES. Boa estada.

Então, dois ministros de Estado da área econômica e o presidente do maior – se não único – banco de fomento estatal do país estão em Paris. Certo. E o que estão fazendo lá, que mal pergunte? Estão de flosô? Se estiverem é dever do jornalista denunciá-los com as indespensáveis provas. Mas e se estiverem na Cidade-Luz a trabalho? Representando o país em alguma solenidade – já que é Ano do Brasil na França, como o colunista certamente sabe – por exemplo? Ou se tiverem viajado para a capital francesa tentando manter e ampliar o excelente desempenho do comércio exterior do país nos últimos tempos? É assim, com viagens e conversas oficiais com altos funcionários de um país, que se assinam convênios e contratos que abrem mercados e garantem empregos. E se estas duas últimas possibilidade forem as corretas, como fica então a honra e a imagem públicas desses servidores públicos? Ok, é pergunta acadêmica para alguns jornalistas, mas gosto muito desse tipo de questão, pois nos obrigam a pensar, não é?

Anúncios