O fim do JB

O Globo publicou ontem, na página 30, esta matéria assinada pelo competente Gilberto Scofield:

JUSTIÇA DO RIO PENHORA MARCA JORNAL DO BRASIL

Título deve ir a leilão e servirá para cobrir dívida trabalhista no valor de R$ 120 mil

O juiz Roberto Fragale, da 33ª Vara do Trabalho no Rio, penhorou a marca Jornal do Brasil e deve leiloá-la para quitar uma dívida trabalhista de R$ 120 mil de um ex-funcionário referente a valores não pagos de FGTS, décimo-terceiro salário e indenizações.

Fragale decidiu pela penhora em 9 de dezembro de 2003, mas só anteontem a decisão foi publicada no Diário Oficial, convocando para se manifestarem o ex-funcionário e os representantes do Jornal do Brasil S/A — a família Nascimento Brito e Nelson Tanure, que arrendou a marca e foi considerado responsável solidário pelo juiz.

O Jornal do Brasil tinha até 14 de dezembro para embargar a penhora, o que não foi feito.

— Entramos com a ação em 2000 e agora garantimos o pagamento. Tenho mais 40 ações do mesmo teor e a decisão abre precedente para que todos os prejudicados consigam o mesmo — diz Leandro Rebello Apolinário, do escritório de advocacia Apolinário Rebello, advogado do ex-funcionário. Segundo uma fonte ligada ao jornal, existem hoje mais de 200 ações trabalhistas contra o JB.

Há três possíveis desdobramentos: o Jornal do Brasil paga a indenização e a penhora é suspensa; a marca vai a leilão e é comprada por Tanure; ou outra pessoa compra a marca, que não poderá ser mais usada por Tanure. Paulo Marinho, diretor do JB, disse que o jornal deve recorrer, mas Leandro Rebello afirma que não há recursos.

O JB subiu nas tamancas e respondeu hoje:

Nota de Repúdio

O Jornal do Brasil registra e repudia, indignado, outra agressão praticada por um veículo das Organizações Globo contra todos os profissionais que aqui trabalham. A ofensa, desta vez, veio na forma de reportagem publicada na edição de ontem do matutino O Globo, assinada pelo repórter Gilberto Scofield e supostamente baseada numa decisão em primeira instância da Justiça do Trabalho. Esclarecemos que:

1. A reportagem distorce deliberadamente uma questão simples. Um ex-profissional do JB, dispensado por inépcia, vem tentando extorquir esta empresa com uma ação trabalhista cujo valor máximo não passará de R$ 40 mil, segundo cálculos de advogados especializados que merecem respeito. Fiel às instruções do escritório a serviço do profissional demitido, o repórter de O Globo, sempre empenhado na confecção de textos nocivos à imagem do Jornal do Brasil, elevou a quantia para R$ 120 mil.

2. O JB reafirma, desde sempre, que não cederá a tentativas de chantagem promovidas por advogados em busca da notoriedade fácil, assegurada por um tipo de jornalismo que garante espaço a qualquer charlatão. Tampouco negociará sob pressão, seja ela qual for, venha de onde vier. O JB pretende depositar a quantia em juízo e pedir a cassação da decisão, com a certeza de que obterá mais uma vitória judicial.

3. A quantia mencionada na reportagem, mesmo triplicada, é infinitamente inferior às que talvez expliquem o comportamento agressivo das Organizações Globo em relação ao JB. Já em situação de notória insolvência econômico-financeira, aquele grupo enfrenta no momento um pedido de falência compulsória requerida na Corte Federal de Nova York por um dos seus muitos credores. Valor da ação em curso nos Estados Unidos: US$ 120 milhões. Quantia, insista-se, extraordinariamente superior aos R$ 120 mil debitados ao JB na reportagem de O Globo.

4. Enquanto divulga inverdades, O Globo silencia sobre ocorrências como as que envolveram o indivíduo Marcelo Novaes, ator da TV Globo. No dia 29 de janeiro, esse elemento agrediu um fotógrafo do JB, que apenas cumpria tarefas profissionais e furtou equipamentos da vítima. Já foi aberto inquérito policial sobre o caso e vêm sendo examinadas as motivações do estranho comportamento do agressor.

5. Os itens acima mencionados resumem fatos que só contribuem para destruir a credibilidade do grupo fundado pelo digno empresário e jornalista Roberto Marinho. É também em respeito à sua memória que o JB publica estes esclarecimentos, destinados a seus leitores e aos do próprio O Globo.

JORNAL DO BRASIL

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